“Temer avisa que está pronto para encerrar intervenção e votar PEC da Previdência”

“Ministro Carlos Marun diz que governo aguarda sinal verde do futuro presidente para mobilizar deputados e pôr reforma em votação. Militares estão cientes de que intervenção pode acabar logo”

 

“O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que, sem apoio do novo presidente, não há como mobilizar o Congresso a mudar regras de aposentadoria. Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil”

Está madura no Palácio do Planalto a ação para tentar aprovar ainda este ano a reforma da Previdência. Vai depender, nas palavras do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, da vontade do presidente eleito no próximo domingo (28).

Segundo o ministro, o presidente Michel Temer já conversou com os militares e está acordado que a intervenção federal do Exército no Rio de Janeiro será suspensa para possibilitar a votação do texto da Previdência, se assim desejar Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT). A Constituição veda mudanças no texto constitucional – caso de uma reforma previdenciária – durante vigência de intervenção federal.

“Gostaríamos de ver essa reforma aprovada. É imprescindível para o país. Com uma sinalização positiva do eleito, a chance de o texto passar será reforçada. Não adianta esperar sinais. É preciso que quem for eleito expresse com clareza seu pensamento. Sem apoio do novo presidente, uma questão com a envergadura de uma reforma da Previdência, não se aprova. Nem desejaríamos isso. Será preciso a manifestação do eleito para se avançar”, disse Marun, que integrará a equipe de transição pelo lado do governo.

A PEC da reforma da Previdência hoje está parada na Câmara dos Deputados. “Estamos dispostos inclusive a suspender a intervenção, apesar do êxito que está tendo. O presidente Temer já deu esse aviso aos militares”.

Projetos na fila para aprovação

O presidente quer aprovar alguns projetos no Congresso Nacional antes de passar a faixa para seu sucessor. Uma reunião de cinco ministros na terça-feira (23) no Planalto, inclusive da área econômica, definiram as propostas prioritárias que vão tramitar nas duas Casas.

No Senado: o Marco das Telecomunicações, a cessão onerosa do pré-sal e o distrato na compra de imóveis. Na Câmara: ampliação do capital estrangeiro sobre empresa aérea, a Lei de Licitações, o Cadastro Positivo e plano de recuperação de empresas estatais. A primeira ação do governo logo após o resultado da eleição é tocar as medidas provisórias do Programa Automotivo Rota 2030 e a do Marco do Saneamento.

“Dá para fazer muita coisa boa ainda. E se tivermos o apoio do presidente eleito, melhor ainda. Vai facilitar nosso trabalho. Não dá para tapar o sol com a peneira. Se o eleito tiver interesse, pode até facilitar nosso trabalho. Todos são importantes. Não é que sejam imprescindíveis para o governo, mas para o país”.

O ministro faz uma defesa enfática da gestão Temer e, mesmo sendo eleitor declarado de Jair Bolsonaro, afirmou que a população logo sentirá saudades do atual governo. “Em breve tempo, todos teremos saudades do governo Temer. É impopular em função de uma lavagem cerebral que se impôs à população brasileira”.

Quase candidato

Para ele, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, do MDB,  não defendeu o governo na sua campanha para presidente da República. Marun disse que Meirelles candidatou-se “apenas para valorizar sua biografia”. O ministro contou ainda que foi avaliada hipótese de ser ele o candidato, e que a eleição, dado seu acirramento, estava a seu feitio. Mas Temer o preferiu no Planalto, disse.

“Era uma eleição para fortes. Tinha uma série de bons candidatos, como o Alckmin, o Amoêdo, a Marina, o próprio Meirelles. Mais são mais amenos, e foram engolidos. Não os estou chamando de fracos. Mas essa era uma disputa para um candidato sem receio de contendas”.

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Marun diz ter muitas afinidades com Bolsonaro e cita propostas em comum como a defesa da redução da maioridade penal, de facilitar o porte de arma e contra a “libertinagem” nas TVs. Mas o ministro critica sua ideia de política externa, em especial a aproximação com Israel. Marun é um sobrenome árabe.

“Tenho divergência sobre essa devoção dele a Israel. Não é compatível com quem vai ser presidente. No Brasil, árabes e judeus convivem há muito tempo em harmonia. E não tem razão de importar essa guerra para cá. É um erro absurdo”.

Do lado certo (ou errado) da história

Carlos Marun é um deputado de primeiro mandato, eleito pelo MDB do Mato Grosso do Sul. Não tentou a reeleição. Assumiu funções nesse período que o desgastaram, como a defesa implacável do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, foi um dos líderes do movimento que afastou a ex-presidente Dilma Rousseff e também esteve na linha de frente da defesa do presidente Temer nas duas denúncias da Procuradoria-Geral da República, que acusou o presidente por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de justiça. “Faria tudo de novo. A mesma defesa de Cunha com os mesmos argumentos”.

Fonte: Gazeta